Reflexão sobre “O uso das tecnologias digitais em rede na sociedade do século XXI, efeitos dos processos de uso e a sua importância na educação e na aprendizagem”
Com base na análise apresentada no
artigo "Novos contextos de Aprendizagem e Educação online" de Amante,
Quintas-Mendes, Morgado & Pereira (2008), consegui reflectir sobre as
transformações que têm acontecido nas últimas décadas nos contextos educativos,
associadas aos processos de uso dos recursos tecnológicos.
Assim,
podemos compreender que a sociedade atual sofreu variados processos de
transformações sociais ao longo dos últimos tempos derivado das sucessivas
tentativas de integração das tecnologias nos contextos de educação e de
formação. Nesta perspetiva, a integração das novas tecnologias nos espaços
pedagógicos não tem sido uma tarefa facilitada sendo que existem motivos
explicativos que demonstram as dificuldades de integração que temos assistido,
assim uma das razões apontada pelos autores é o facto de apesar de a tecnologia
por mais avança que se encontre não possui em si inerente uma pedagogia de
ensino levando a que o atores educativos tenham de criar as situações de
aprendizagem uma vez que dada a sua polivalência podem apresentar implícitas
diversas filosofias de aprendizagem.
Para
além desta razão, como afirma Ponte (2011, citado por Amante et al., 2008) uma
das dificuldades é dispor as novas tecnologias ao serviço dos contextos de
educação e formação levando a que estes contextos se tornem num espaço em que a
educação é vista como “um processo de desenvolvimento integrado, significativo
e coerente” (p.101) e em que apenas não se ensina os conteúdos, mas leva-se
realmente a uma aprendizagem significativa. Nesta perspetiva, apesar de se ter
noção que a evolução das novas tecnologias veio reforçar a compreensão de que
as escolas necessitam realmente de uma mudança e que a sua integração nos
contextos de educação e formação iria ser uma mais valia existe a dificuldade
de que, como refere Figueiredo (2011), para que fosse possível a construção de
filosofias de aprendizagem para serem utilizadas nos espaços educativos teria
que existir “uma mudança cultural que rompa com os paradigmas mecanicista que
hoje aprisionam os nossos sistemas escolares” (p.101).
Neste
sentido, uma das dificuldades apontadas é os espaços educativos não serem
permeáveis às novas tecnologias uma vez que existem “concepções arreigadas
sobre o que é ensinar, sobre o que se considera o conhecimento adequado e
legitimo (…)” (p.101) levando a que seja uma tarefa árdua a integração
das tecnologias nas filosofias de aprendizagem.
Outra
dificuldade implícita na integração das novas tecnologias nos espaços
educativos, refere-se ao facto de que como refere Ponte (200) leva a uma
alteração intimamente no mundo que nos rodeia afetando os níveis cognitivos e
sociais da população fazendo a exigência de desenvolvimento dos processos de
adaptação e reestruturação a esses níveis implicando assim a criação de novas
conceções da realidade dado que modifica o modo como relacionamos com os
indivíduos no nosso dia a dia.
Uma
das grandes dificuldades, na minha perspetiva, é como refere Figueiredo (1995)
o facto de os espaços educativos não estarem preparados para acompanhar a
“oferta vertiginosa da industria de produção de inovações tecnológicas”
(p.102), assim torna-se difícil as novas tecnologias apresentarem um papel
determinante nos contextos educação e formação uma vez que quanto mais as
sociedades se tornarem tecnológicas mais se torna necessário que sejam criadas
respostas humanas que compensem esse processo dado que é nessas relações que a
educação encontra o seu sentido para se organizar e tornar adequada.
Depois
de expressas as dificuldades encontradas podemos referir que também existem
vantagens que podem advir da integração das novas tecnologias nos espaços
educativos, assim como nos dias que correm “o grau e as possibilidades de
desenvolvimento de uma sociedade já não se avaliam apenas pelas suas riquezas
naturais (…) mas (…) sobretudo pelo domínio das novas tecnologias da informação
e da comunicação e pelo nível de conhecimento de que dispõe” (p.99) a
integração das novas tecnologias nos espaços educativos irá permitir que a
sociedade adquira domínio e conhecimento no sentido do obter um desenvolvimento
adequado e assim obter uma boa avaliação nessa perspetiva.
A
sua integração nos espaços educativos vai levar a uma inovação pedagógica
permitindo que as filosofias de aprendizagem sejam modificadas e flexibilizadas
levando a uma extensão do tempo utilizado para a educação e formação e dos
espaços educativos.
Por
fim, a vantagem que considero essencial da integração das novas tecnologias
reside na perspetiva de podermos obter uma nova forma de educação nos contextos
de educação e formação através da educação online. Nesta perspetiva, da
educação online iria advir uma educação em que as filosofias de aprendizagem
deixariam de ser individualidades e passariam a focar-se na sociedade
possibilitando assim uma aprendizagem colaborativa levando a espaços educativos
mais inovadores e moldáveis permitindo melhorias a nível social e cognitivo.
A
questão central predominante que deverá ser abordada neste aspeto sobre a
integração das novas tecnologias reside no facto de que para que se verifique
as vantagens temos de possuir uma filosofia de aprendizagem em que se encontre
subjacente a ideia de que temos a necessidade de equacionar o que se aprende
nos contextos educativos e as condições pedagógicas em que ocorrem essas
aprendizagens. Nesta perspetiva, é essencial que as condições pedagógicas e as
filosofias de aprendizagem respondam as necessidades de formação e educação que
a sociedade possui para que a o uso das tecnologias seja uma vantagem.
Por
outro lado, não podemos utilizar as tecnologias e estarmos a espera que isso
traga vantagens para a sociedade assim, temos de refletir sobre as condições
pedagógicas que pretendemos veicular para adquirirmos uma aprendizagem adequada
uma vez que as tecnologias não apresentam uma pedagogia a si inerente e se
queremos realmente uma vantagem do seu vinculo com os contextos educativos não
podemos usá-las simplesmente “de modo a reforçarem concepções tradicionais de
aprendizagem sem trazerem nenhum valor pedagógico acrescentado às situações em
que são inseridas” (p.100).
Outra
questão muito relevante para que se verifiquem as vantagens, reside no facto de
termos de saber adequar a colocação das novas tecnologias aos projetos
educativos predominantes nas filosofias de aprendizagem de forma a levar que
esses projetos possuam uma visão em que as condições pedagógicas não se
restringem ao simples facto de transmitir conhecimentos fora do contexto e
segmentados. Nesta perspetiva, torna-se necessário que exista uma filosofia de
aprendizagem que tome em conta os contextos educativos de forma a que
consigamos estruturar e dar significado as informações que as novas tecnologias
nos fornecem para a sociedade em que vivemos.
Assim,
podemos compreender que para que a integração seja uma mais valia na nossa
sociedade será necessário que a escola se constitua como um espaço social que
permitirá a promoção da formação pessoal, social e cultural da sociedade
enquadrada na nova cultura tecnológica em que vivemos de forma a sermos capazes
enquanto seres humanos de compreender e intervir no mundo que nos rodeia.
É
possível afirmar que para que existam vantagens que do uso destas tecnologias
podem veicular temos de entender que não basta a escola adotar as novas
tecnologias para permitir aos indivíduos adquirem as competências requeridas
pela sociedade do conhecimento em que estamos inseridos assim, temos de
reequacionar o “papel da educação na sociedade atual em função da sociedade que
queremos construir no futuro” (p.103) no sentido para que as novas tecnologias
adquiram um papel determinante de forma a que sua integração permita aos
contextos educativos assumirem novas responsabilidades ao nível das condições
pedagógicas e novas filosofias de aprendizagem essências na formação e no
desenvolvimento humano.
Podemos
constatar que as comunidades virtuais de aprendizagem é considera como um
sistema em que existe uma colaboração e uma distribuição sendo assim formado
“pela interação e efectua-se através da comunicação, orientada por objetivos de
aprendizagem partilhados entre os seus membros” (p.106). Neste sentido, para
que seja criada uma comunidade virtual de aprendizagem é necessário que exista
uma participativa coletiva dos seus membros de forma a atingir os objetivos
comuns dessa mesma comunidade sendo o seu vínculo social desta forma construído
devido a relação com o conhecimento que os seus diversos membros possuem.
Nesta
perspetiva, estas comunidades apresentam uma importância na educação online uma
vez que apresentam as características especificas que são por base consideradas
no ensino online, assim, é usada uma conceção pedagógica em que existe partilha
dos saberes e competências individuais através de processos colaborativos que
são postos ao serviço das filosofias de aprendizagem do coletivo presente na
comunidade.
Por
sua vez, estas comunidades apresentam especificidades que remetem para a sua
importância na educação online assim, pelo facto de permitirem uma comunicação
em rede, um acesso fácil, flexível e variado em relação à informação que nelas
constam e por fim, a especificidade de maior relevância é o facto de permitir
uma comunicação assíncrona sendo esta uma mais valia em ambientes online.
Encontra-se,
desta forma, explícito a importância das comunidades virtuais de aprendizagem
no ensino online uma vez que demonstram o grande potencial pedagógico deste
ensino sendo que é neste contexto educativo das comunidades que ocorre a junção
e interligação de duas dimensões, a dimensão cognitiva e a dimensão social, que
são essenciais e de extrema importância para o desenvolvimento e para a
construção de uma aprendizagem baseada na colaboração.

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